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Tentativa
No tabuleiro da norueguesa tem...
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Eu não sou branco. Olhando todas as pessoas que convivem comigo de uma forma ou outra, percebo que poucas são brancas. Uma minoria. Enquanto digito este texto, só surge a lembrança de um que é branco. Todos os outros (e posso imaginar aí uma quantidade de, no mínimo, 50 pessoas) são negros ou morenos.
Quando eu olho na rua, vejo mais ou menos a mesma proporção: alguns brancos no meio de uma quantidade enorme de mestiços.
Então, pergunto: por que todo comercial que eu vejo na televisão me faz sentir como se eu estivesse na Escandinávia? Se você olhar os comerciais, ou melhor, se assistir qualquer programa (novela ou humorístico, por exemplo), percebemos que negros e mestiços são uma ilha (pobre) cercada de brancos (ricos) por todos os lados.
Na última segunda-feira, dia 10, eu estava -por acidente, justifico-me-, assistindo o capítulo inicial da novela global das 8 que, estranhamente, passa às 9. Assisti praticamente tudo, talvez tenha perdido só o início. E, na tela, desfilou uma multidão de brancos, todos lindos, ricos e educados. Se não me engano, só apareceram dois negros: uma era a empregada doméstica de uma médica rica. E outro, um adolescente, que pareceu ser filho da mesma médica. Provavelmente, ele está ali para afastar qualquer crítica de que preto, em novela, só aparece em papéis subalternos.
Sei não... de repente, aquela minoria branca a que um governador se referiu um dia desses nem me parece ser minoria.
Estranho. Dizem que a arte imita a vida. Então, deveria eu supor que, na verdade, a maioria da nossa população é branca e rica? Meio difícil de acreditar. Me parece que há algo de errado, e não acho que seja só o horário em que começa a novela.
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O Cássio
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-Ih! Ó o Cássio! - disse o Tiago, na mesa do bar.
- Onde?- procurou André, virando-se para trás, enquanto o Tiago, espertamente, bebia do copo do amigo distraído. O Cássio, claro, não estava lá. Mas o André ficou sem a bebida.
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Isso aconteceu há alguns verões, quando nós estávamos passando férias em Balneário Camboriú. O Cássio, é claro, não estava conosco e, na verdade, não havia a menor chance de ele está na cidade. No entanto, esse dado óbvio não impediu André de olhar pra trás, enquanto Tiago surrupiava a sua bebida.
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Lembrei dessa história porque domingo saem as revistas semanais. E a maior delas - veja bem, não preciso dizer qual é- sempre é publicada com uma capa escandalosa ou inútil. Ou, na maioria das vezes, as duas coisas.
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A capa semanal dessa revista, veja bem, está sempre como que dando um grito pra chamar a nossa atenção, ou melhor, desviá-la para algum outro lado. Aliás, nem é preciso esperar pelo domingo. Todos os dias, nas manchetes dos jornais ou nas chamadas dos noticiários da TV, todos os dias tem alguém que está metaforicamente gritando pra gente "Ó o Cássio!". E nós, mesmo sabendo que o Cássio não está lá, olhamos para o outro lado. E quando percebemos, a nossa bebida já foi tirada da nossa frente.
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O que incomoda não é a brincadeira. Em si, gritar "Ó o Cássio!" é um modo engraçado de nos enganar. O único prejuízo é ter que pedir outra bebida, mas, pelo menos, todos rimos um pouco.
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O problema é que, como toda brincadeira, ela só é engraçada na primeira vez. Por isso, o Tiago só a fez uma vez naquela noite. E o André, façamos justiça, não cairia uma segunda vez.
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Já no caso das revistas e jornais, eles estão sempre gritando "Ó o Cássio!", dia após dia, domingo após domingo, veja bem. E nós, mesmo conscientes de que o Cássio não está lá, acabamos sempre virando pra procurar.
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Chato não é a brincadeira. Chato é pegarem a nossa bebida tantas vezes. Mas a gente sempre pede uma nova, só para perder novamente quando procurarmos pelo Cássio. E o pior é que ninguém avisa que a brincadeira já perdeu a graça.
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Esclarecimentos
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Em respeito aos meus três leitores, uma nota: não tenho escrito muito porque não tenho internet em casa e, no serviço, o acesso a blogs é impedido pela rede. Então, só coloco algo novo aqui quando venho à casa da mamãe, onde há uma conexão maravilhosa com esse mundo virtual.
Em breve, contarei com uma conexão tão boa quanto esta e,e então, vou passar a escrever com maior freqüência.
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Senhoras e senhores, vai começar o espetáculo!
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E começou a campanha eleitoral de 2006! Já são vistos pelas ruas bonecos, panfleteiros...
Seria ótimo se houvesse uma renovação grande na quadrilh.... digo, no Congresso Nacional. Algo, por exemplo, em torno de 95%. Mas imagino que isso não vá acontecer.
De minha parte, vou fazer o que posso: para deputado, vou votar em alguém que não tem e nunca teve mandato - e, claro, que tenha boas propostas.
Pro Senado, está mais complicado. Acho que vou ser obrigado a votar no Agnelo pra tentar evitar uma vitória do Roriz. Mas nenhuma das duas alternativas me agrada.
E, pra Presidente, Cristovam Buarque...
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É hora de fazer trocadilhos
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Depois de a imprensa falar em "jogar com Gana" e que o time do Brasil EnGana, e depois de falar que a França jogou futebol e o Brasil que "Zidane", agora os jornais fazem festa com o "Grosso, que fez um gol fino". Qual será o próximo trocadilho infame desta Copa?
Eu aposto que será hoje, no caso de vitória dos lusos, quando dirão que Portugal DECOlou para a final.
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Recordes? Que recordes?
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E agora, depois de eliminados, qual a imagem que vai ficar da Copa? Os recordes pessoais desses jogadores vaidosos e um tanto inúteis? Ou a imagem do Roberto Carlos na posição em que Napoleão venceu a guerra (e Zidane ganhou a partida)?
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