Eu não sou branco. Olhando todas as pessoas que convivem comigo de uma forma ou outra, percebo que poucas são brancas. Uma minoria. Enquanto digito este texto, só surge a lembrança de um que é branco. Todos os outros (e posso imaginar aí uma quantidade de, no mínimo, 50 pessoas) são negros ou morenos.
Quando eu olho na rua, vejo mais ou menos a mesma proporção: alguns brancos no meio de uma quantidade enorme de mestiços.
Então, pergunto: por que todo comercial que eu vejo na televisão me faz sentir como se eu estivesse na Escandinávia? Se você olhar os comerciais, ou melhor, se assistir qualquer programa (novela ou humorístico, por exemplo), percebemos que negros e mestiços são uma ilha (pobre) cercada de brancos (ricos) por todos os lados.
Na última segunda-feira, dia 10, eu estava -por acidente, justifico-me-, assistindo o capítulo inicial da novela global das 8 que, estranhamente, passa às 9. Assisti praticamente tudo, talvez tenha perdido só o início. E, na tela, desfilou uma multidão de brancos, todos lindos, ricos e educados. Se não me engano, só apareceram dois negros: uma era a empregada doméstica de uma médica rica. E outro, um adolescente, que pareceu ser filho da mesma médica. Provavelmente, ele está ali para afastar qualquer crítica de que preto, em novela, só aparece em papéis subalternos.
Sei não... de repente, aquela minoria branca a que um governador se referiu um dia desses nem me parece ser minoria.
Estranho. Dizem que a arte imita a vida. Então, deveria eu supor que, na verdade, a maioria da nossa população é branca e rica? Meio difícil de acreditar. Me parece que há algo de errado, e não acho que seja só o horário em que começa a novela.